Primeira paquita trans operada desfila no Bloco Ilariê e marca “reparação histórica” no Carnaval de São Paulo
- Pimenta Rosa
- há 7 horas
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Influenciadora e transativista Amanda Froés integra elenco do bloco inspirado no universo de Xuxa, que retorna às ruas da capital paulista em 2026 celebrando diversidade e inclusão

O Carnaval de São Paulo de 2026 será palco de um momento simbólico para a representatividade e a diversidade. A influenciadora e transativista Amanda Froés fará história ao desfilar como a primeira paquita trans operada no Bloco Ilariê, projeto inspirado no universo de Xuxa e um dos destaques do pré-carnaval paulistano.
O desfile acontece neste sábado (07), na Barra Funda, região tradicional dos blocos de rua da capital paulista. A concentração está marcada para as 13h e contará com uma estrutura ampliada, celebrando a volta oficial do Bloco Ilariê após um ano de pausa.
Convidada para compor o elenco do bloco, Amanda destaca o caráter político e simbólico da presença de uma paquita trans, negra e pessoa com deficiência (PCD). Segundo ela, o Carnaval cria brechas importantes para reimaginar papéis e ampliar narrativas, transformando a festa em um território de visibilidade e afirmação de direitos.
" Nunca teve paquita trans, negra, PCD", afirma Amanda Froés que já operou a "bubu", como ela chama carinhosamente o órgão genital, duas vezes. "Não gostei da primeira vagina" dispara.
Inspirado na trajetória da Rainha dos Baixinhos, o bloco se consolidou como um espaço de celebração da diversidade, do afeto e da liberdade. Um dos grandes destaques desta edição é o retorno da icônica nave da Xuxa, considerada a primeira alegoria do carnaval de rua paulistano, que pela primeira vez percorrerá as ruas do bairro, reforçando o caráter lúdico e performático do desfile.
Mais do que uma homenagem à apresentadora, o Bloco Ilariê é um projeto artístico que combina música, performance, humor e inclusão. Criado e conduzido por Dieguita — nome artístico de Diego Rodrigues, performer e relações públicas — o bloco conquistou o público ao propor uma experiência diferente do modelo tradicional de trio elétrico.
Em vez disso, aposta em uma fanfarra com 25 músicos, colocando o público no centro da festa e criando uma atmosfera de proximidade, participação e celebração coletiva. A teatralidade e a irreverência também marcam presença por meio da personagem drag interpretada por Dieguita, inspirada na própria Xuxa, que se tornou peça central do espetáculo.
O projeto conta ainda com o aval da Rainha dos Baixinhos, reconhecimento que confere legitimidade e afeto à iniciativa. Com fanfarra ao vivo, DJs e o corpo de paquitas, o Bloco Ilariê reafirma seu compromisso com a diversidade e transforma o carnaval de rua em um espaço de encontro entre gerações, corpos e histórias, onde representatividade também desfila.

