Projeto LGBQIAPN+ da Casa Nem recebe ordem de despejo e ameaça interromper ações de segurança alimentar na Lapa
- Pimenta Rosa
- há 3 dias
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Decisão judicial atinge o KuzinhaNem, espaço que desde 2017 garante refeições, acolhimento e apoio a pessoas em situação de vulnerabilidade social e população LGBTQIAPN+

O projeto KuzinhaNem - iniciativa de segurança alimentar vinculada à Casa Nem e referência no acolhimento da população LGBTQIAPN+ e de pessoas em situação de vulnerabilidade social - recebeu uma ordem de despejo que coloca em risco a continuidade de suas atividades na Lapa, região central do Rio de Janeiro. O espaço funciona desde 2017 e atende mensalmente centenas de pessoas em situação de rua e famílias em condição de extrema precariedade.
A decisão judicial deferiu uma liminar que determina a imissão na posse do imóvel, o que, na prática, impede a continuidade do projeto no local. Segundo Indianarae Siqueira, fundadora e idealizadora da Casa Nem e do KuzinhaNem, a equipe foi surpreendida pelo mandado judicial.
“Fomos surpreendidos com o mandado de imissão na posse. Contudo, como o imóvel também serve de moradia, não foi possível a imissão imediata. Ato contínuo, o NUTH assumiu a defesa do KuzinhaNem e está atuando para a manutenção da posse. Ainda assim, existe um despejo com trânsito em julgado. Vamos resistir”, afirma.
Mais do que uma cozinha comunitária, o KuzinhaNem cumpre um papel central na garantia de direitos básicos. De acordo com Indianarae, o projeto prepara mais de 300 refeições mensais destinadas às pessoas acolhidas pela Casa Nem. Além disso, realiza a distribuição de aproximadamente 800 quentinhas por mês para pessoas em situação de rua, promove a doação de cestas básicas, legumes e frutas para famílias em vulnerabilidade e oferece acolhimento a pessoas expulsas de casa e vítimas de violações de direitos.
A eventual interrupção das atividades representa um impacto direto na segurança alimentar e na rede de proteção social construída ao longo de quase uma década. Para além da dimensão assistencial, a Casa Nem e o KuzinhaNem se consolidaram como espaços de resistência, cuidado coletivo e enfrentamento à exclusão social, especialmente em um contexto de agravamento da pobreza e da fome na cidade.

Enquanto a defesa jurídica segue em andamento, integrantes do projeto reforçam que a luta pela permanência no imóvel é também a luta pelo direito à vida, à dignidade e à existência de políticas comunitárias que suprem ausências históricas do poder público. A Casa Nem afirma que seguirá mobilizada para garantir a continuidade das ações e a proteção das pessoas que dependem diariamente do espaço.




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