RETROSPECTIVA PROSPECTIVA 2025/2026
- Eduardo Papa*

- há 5 dias
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*Eduardo Papa
Não há como negar que 2025 foi um ano bom para o Brasil, contrariando as previsões tenebrosas do tal de mercado, a economia cresceu, o dólar caiu e a bolsa subiu. Muita gente que estava procurando conseguiu emprego, e outros que já nem procuravam mais estão buscando espaço no mercado de trabalho. A situação de pleno emprego elevou a renda dos trabalhadores, ao mesmo tempo a inflação no preço dos alimentos foi controlada, o que melhorou a condição de vida da população. Ainda que dentro de uma conjuntura internacional conturbada, com o imperialismo ianque partindo com tudo para reafirmar seu poder no que considera seu quintal latino americano, nosso presidente conseguiu enfrentar bem a ameaça, mantendo a altivez em defesa da nossa soberania, e solidificando novas alianças mais proveitosas para nosso país.
Na esfera política, 2025 vai ser lembrado como o ano do livramento. A condenação de Bolsonaro e dos generais golpistas foi um marco na história do Brasil. Apesar do esperneio, o fascismo tupiniquim foi ferido de morte, ainda permanecerá um tempo como um cadáver insepulto, espalhando sua pestilência no tecido social brasileiro, mas a tendência é inexorável, os “patriotários”, assim como os “barrigas verdes” do século passado, vão subsumir em sua mediocridade e entrar em estado de latência, aguardando um novo chamado patriótico contra o comunismo mais convincente. Afinal, levaram uma senhora chinelada (de sandália havaiana e tudo).
Vamos ter um ano eleitoral atípico, um grande número de parlamentares vai enfrentar a campanha pela reeleição respondendo ao Ministro Flávio Dino por sua participação na farra do orçamento secreto, é mais um teste em tanto para a maturidade das instituições brasileiras. Vamos ver como isso vai se desenrolar, especialmente aqui no Rio de Janeiro, onde altas autoridades e caciques políticos estão com um pé na cadeia (alguns já com os dois). Quem sabe isso não sirva para sanear, ao menos um pouquinho, o #congressoinimigodopovo.
Então está tudo bem! Papai Lula vai ser reeleito, o povo vai escolher novos congressistas, e o Brasil entrou num círculo virtuoso de prosperidade e crescimento, garantido pelo aumento do poder de compra do povo sustentando mais crescimento e novos investimentos. Só que não! Grande parte da riqueza que é transferida para os trabalhadores escorre para o exterior, para comprar produtos industriais que deixamos de fabricar, pois a indústria brasileira, construída pelo nacional desenvolvementismo na Era Vargas, foi destruída pela política neoliberal que nos impuseram. Voltamos a ser um grande latifúndio! Um país exportador de produtos primários agrícolas e minerais.
Precisamos com urgência de uma política industrial para elevar o nível de complexidade da nossa economia, para oferecer melhores empregos, que exigem uma maior qualificação da mão de obra e pagam maiores salários. Coisa impossível sem uma política educacional efetiva. Não adianta apenas fortalecer as fontes de financiamento da instrução pública, se grande parte dos recursos são desviados, e acabam subtraídos do povo em compras superfaturadas sem efeito produtivo. De que serve o presidente e seu ministro da educação anunciarem aumentos no piso salarial do magistério, se os governadores os ignoram solenemente e continuam mantendo seus educadores em estado de penúria. Para reverter esse apagão na educação que o país vive, urge a federalização do setor. Entregar a gestão e formulação de políticas educacionais a técnicos capazes de trabalhar, com a participação popular, para melhorar os índices desastrosos de proficiência de nossos estudantes.
Entretanto, não dá para pensar em políticas públicas de fato eficazes em qualquer setor sem combater o crime organizado (nem mesmo a urgente reformulação da política de defesa e segurança), que se entranhou no Estado e encontrou parceiros nas culminâncias da sociedade. A alta burguesia financeira do país está contaminada por relações espúrias com organizações mafiosas que movimentam bilhões, e esse é o ponto crucial: não há como se avançar de fato na solução de qualquer um dos grandes problemas nacionais sem enfrentar a plutocracia parasitária que nos governa. Sem limitar o poder dos bilionários não tem jeito!
Um belo teste para saber o quanto o povo pode nessa queda de braço vai ser a campanha pela redução da jornada de trabalho (fim da escala 6x1). Caso os trabalhadores mobilizados consigam uma conquista dessa magnitude, somente possível com um movimento popular avassalador, como o que conquistou o décimo terceiro salário, em 1961, tudo muda. E já está passando da hora de nossa gente bronzeada mostrar o seu valor nas ruas, em greves e manifestações, exigindo o fim desse massacre econômico do nosso povo, perpetrado pelas políticas neoliberais concentradoras de renda. O povo pode e deve mostrar sua força, partir pra cima e mostrar que a nossa gente não quer só comida, mas almeja muito mais! Temos o direito de sonhar e lutar por uma efetiva liberdade, rompendo os grilhões da miséria econômica, intelectual e moral, e avançando decisivamente em pautas de combate a desigualdade, de forma a conquistar a dignidade e o respeito que todos merecemos como cidadãos.
É tolice achar que só escolhendo bem nossos representantes políticos conseguiremos algum resultado, pois a política vai muito além das eleições. A parte hegemônica da nossa classe dominante é comprometida com o imperialismo e aceita a posição de coadjuvante menor no mundo, para permanecer sob o guarda chuva do Tio Sam. A burguesia brasileira joga contra o crescimento do país para ganhar com juros escorchantes. Não criam nada, não desenvolvem nenhum projeto de desenvolvimento nacional. Sua principal atividade é sugar a renda nacional através da dívida pública, que nunca passou por uma auditoria séria, para desenterrar os esqueletos de escândalos financeiros, que acabaram na conta do povo, sem punição para os responsáveis. A burguesia pode até não feder, como sugeria Cazuza, mas controla nossas vidas, dita como devemos viver, o quanto nos cabe da riqueza nacional, como funciona nossa justiça, e domina a política institucional, em nossa sociedade profundamente financeirizada. E usa seu imenso poder apenas para lucrar, sem qualquer projeto para o país além de explorar ao máximo seus recursos humanos e naturais.
Como já dizia Elon Musk: a luta de classes existe, ela não é uma criação aleatória do velho Karl Marx, mas sim a constatação da existência de interesses econômicos antagônicos e conflitantes nas sociedades humanas. No caso do Brasil é o confronto entre 1% da população e todos nós. O PT promete, em 2026, chamar o povo às ruas em campanhas por medidas populares, o plano é que o próprio Lula assuma o comando das atividades. Estamos juntos! Agora vamos nós às ruas, não para manter nossos políticos de estimação no poder, mas por medidas de caráter estrutural que transformem nossas vidas. Eu da minha parte estou ansioso para começar a luta, mas espero que nossos líderes entendam que esse é um caminho sem volta, pois as demandas represadas são imensas, e que estejam preparados para aturar a reação que virá feroz sem recuar.
Veremos como de fato será o novo ano depois do carnaval, até lá a diversão na mídia vai ser ver os fascistas condenados tentando fugir da justiça, e as fakenews da Globo para descredibilizar Alexandre de Moraes e Flávio Dino. Bom exercício para os mais velhos lembrarem, e os mais novos aprenderem, do que é feita nossa mídia corporativa.
FELIZ 2006 PARA 99% DOS BRASILEIROS,
E um beijo especial no coração dos leitores do Pimenta Rosa
*Eduardo Papa - Colunista, professor, jornalista e artista plástico (www.mosaicosdeeduardopapa.com)





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