Saúde mental em crise
- Pimenta Rosa
- 15 de jan.
- 4 min de leitura
Em meio à maior crise emocional do país, Janeiro Branco 2026 propõe um pacto coletivo por cuidado, inclusão e dignidade. Pimenta Rosa conversa com Adriana Barbosa, psicóloga e mobilizadora da Campanha.

O Brasil inicia 2026 atravessando a mais profunda crise de saúde mental de sua história. Ansiedade, depressão e estresse avançam de forma alarmante, afetando a população em geral, mas atingindo de maneira ainda mais intensa grupos historicamente vulnerabilizados, como a população LGBTQIA+. Violência, discriminação, rejeição familiar, precarização do trabalho e ausência de políticas públicas específicas fazem com que pessoas LGBT+ estejam mais expostas ao sofrimento psíquico, ao adoecimento emocional e ao risco de isolamento social.
Nesse cenário de exaustão coletiva, a Campanha Janeiro Branco chega à edição de 2026 com o tema “Paz. Equilíbrio. Saúde Mental”, propondo um pacto nacional pelo cuidado emocional como direito e responsabilidade coletiva. Reconhecida por lei federal como referência na promoção da saúde mental, a iniciativa amplia sua mobilização em um momento em que falar de saúde mental também é falar de desigualdades, de acesso e de quem tem — ou não — condições reais de cuidar de si.
Para a população LGBTQIA+, pensar saúde mental é indissociável da luta por dignidade, pertencimento e segurança. Em um país que lidera índices de violência contra pessoas trans e ainda convive com altos níveis de LGBTfobia institucional e social, o cuidado emocional não pode ser tratado como questão individual, mas como reflexo direto de estruturas que adoecem.
É a partir desse olhar que o Pimenta Rosa conversa com Adriana Barbosa, psicóloga e mobilizadora da Campanha Janeiro Branco. Na entrevista a seguir, ela analisa as raízes da crise de saúde mental no Brasil, reflete sobre a urgência de políticas públicas eficazes e aponta como iniciativas coletivas, como o Janeiro Branco, podem contribuir para transformar o cuidado psicológico em um direito acessível, inclusivo e atravessado pela diversidade.
Veja, agora, a íntegra da entrevista:

O Brasil enfrenta hoje a maior crise de saúde mental da sua história. Quais fatores explicam esse cenário e por que ele se agravou nos últimos anos?
É sabido que um dos maiores fatores para o agravamento da crise e a covid- 19. A crise se agravou globalmente devido a pandemia, onde as pessoas se conectaram com o uso excessivo de redes sociais. Houve muitas perdas financeiras e luto, o trabalho diminuiu, com isso houve um aumento de estresse e ansiedade O governo precisa olhar para as políticas públicas de saúde
O reconhecimento do Janeiro Branco por lei federal fortalece a dimensão coletiva da campanha?
A Lei Federal ( 14556/2023) fortaleceu Janeiro Branco, pois elevou o status, dando visibilidade ao reconhecimento oficial. facilitando o estímulo a políticas públicas para fortalecer a causa e principalmente é um movimento civil que virou de estado. O tema do Janeiro Branco 2026 é “Paz. Equilíbrio. Saúde Mental”. Por que esses conceitos se tornaram urgentes para o país neste momento?paz, saúde e equilíbrio... porque quando você se conhece bem, a paz interior te leva a gerenciar suas emoções e com isso equilibrar o que te faz bem gerando saúde mental. É um desejo coletivo da sociedade ter menos exaustão e viver com mais sentido.
A campanha propõe transformar a saúde mental em um projeto coletivo. Que responsabilidades cabem ao Estado, às instituições e à sociedade nesse pacto nacional?
O estado precisa promover conscientização, através de informações, divulgações da campanha, incentivo ao diálogo. Como eles podem fazer essa ponte? Falando e agindo para que o CAPS e os serviços terapêuticos e toda a rede de assistência a transtornos de humor de personalidade e qualquer outra doença mental tenha capacitação de profissionais, para que haja qualidade.
A identidade visual de 2026 traz o post-it como símbolo central. Qual o significado dessa escolha e como ele ajuda a ressignificar a relação das pessoas com o cuidado emocional?
É estratégico, o post-it nos lembra um símbolo, associado a prazos e cobranças. Nós queremos ressignificar, como um espaço de plena consciência da importância das pausas para que tenhamos cuidado interno ou seja, para que a gente olhe para dentro, porque nunca é sobre o outro é sempre sobre a gente.
O que se espera do “Encontro público pela Saúde”, previsto para o dia 31 de janeiro?
Nós, mobilizadores do Janeiro Branco, esperamos no dia 31 de janeiro de 2026, que a campanha se confirme, como o maior evento em Saúde Mental no Brasil. Como diz o nosso idealizador Leonardo Abraão: Não podemos mais adiar debates sobre saúde mental, pois as famílias estão fragilizadas, as escolas perderam a potência, vidas estão sendo interrompidas, as empresas estão adoecidas e como Janeiro é um mês que nos remete a uma folha em branco precisamos criar um ambiente que nos favoreça para que a gente olhe para o que mais importa, para o nosso interno. Eu procuro lembrar, sempre, para todo mundo, nunca é sobre o outro é sempre sobre você!
A Folha é em branco, mas quem traça o roteiro é Você!




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