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Sesc RJ apresenta “Traças”: tragicomédia sobre segredos, corrosões e a família suburbana

  • Foto do escritor: Pimenta Rosa
    Pimenta Rosa
  • 1 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

Dirigido por Marcela Rodrigues, espetáculo mergulha em segredos de família, moralidade e crítica social com estética inspirada no cinema latino-americano. Com um elenco, composto por artistas LGBTQIAPN+ , pretos e pardos, reflete a diversidade e inclusão.


Fotos divulgação: Guto Cesar
Fotos divulgação: Guto Cesar

Em cartaz no Mezanino do Sesc Copacabana, “Traças” - o 6º espetáculo da Troupp Pas D’argent - segue atraindo o público com sua mistura de humor ácido, tensão dramática e crítica social. A direção é assinada por Marcela Rodrigues, reconhecida por sua pesquisa estética e por montagens que tensionam imaginários, discursos e moralidades.


A companhia carioca, que completa 19 anos de trajetória, revisita agora as raízes e contradições do subúrbio do Rio de Janeiro. Com inspiração no cinema latino-americano, o espetáculo constrói uma narrativa eletrizante que alterna simultaneamente primeiro, segundo e terceiro planos, exigindo precisão e vigor do elenco de oito atores. O resultado é um jogo cênico que desmonta o ideal da “família tradicional”, tão presente em discursos conservadores e religiosos no país.


A dramaturgia de Daniella Rougemont equilibra ironia, crítica e emoção, convidando o público a rir e, ao mesmo tempo, confrontar dilemas morais e éticos.


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A metáfora que corrói: segredos em cena

A trama acompanha a família Machado, recém-chegada a Inhaúma, que recebe a visita inesperada da família Soares durante um jantar de comemoração. A noite, inicialmente banal, desmorona quando um segredo devastador é revelado, expondo tensões, vaidades e mentiras que colocam em ruína o delicado tecido familiar.


A diretora explica que a traça funciona como metáfora central da obra: insetos silenciosos que, invisíveis aos olhos, corroem tecidos, livros e estruturas, assim como segredos corroem vínculos e identidades. Essa imagem é traduzida também pelos figurinos criados por Tiago Ribeiro, inspirados no tropicalismo do fim dos anos 1970 e na moda dos anos 1980: peças aparentemente intactas que, ao olhar próximo, revelam rasgos e ruídos.


"Assim como as traças destroem silenciosamente por onde se infiltram, segredos escondidos podem gradualmentecorroer o tecido familiar, levando a consequências devastadoras", explica a diretora, que complementa:


“É interessante pensar como a traça, um inseto tão pequeno e silencioso, é capaz de corroer roupas, livros, se infiltrar em paredes e até mesmo dilacerar o concreto, mesmo aparentando ser tão frágil. No texto de Daniella Rougemont, essa corrosão é tratada de forma metafórica. Há duas famílias em cena, os Machados, que inicialmente, agem como um clã, uma colônia viva que pulsam uníssona, e os Soares, cuja presença desencadeia uma série de brigas e traições, expondo segredos, vaidades e mentiras que destroem a estrutura moral e emocional da família Machado”.

Corpos em desintegração: movimento, estética e ironia

A encenação propõe uma partitura corporal baseada em Dança-Teatro, Contato-Improvisação e elementos do bolero brasileiro. A musicalidade intensa, quase melodramática, ironiza a tragédia, criando contrastes entre rigidez, exagero e colapso. “O movimento é o buraco por onde o público enxerga o que os personagens tentam esconder”, afirma Marcela Rodrigues.


Brasil sem memória: violência, desaparecimentos e moralidade seletiva

O espetáculo ultrapassa o drama doméstico e lança luz sobre temas urgentes como sequestro, desaparecimento e banalização da violência. Sem separar mocinhos de vilões, a narrativa apresenta personagens complexos que sobrevivem entre contradições. “Quero que o público saia rindo e, ao mesmo tempo, perguntando: ‘eu posso rir disso?’”, diz a diretora.


O elenco, formado majoritariamente por artistas LGBTQIAPN+, pretos e pardos, reafirma o compromisso do Edital Sesc Pulsar com a construção de uma cena teatral diversa e inclusiva.


A trajetória da Troupp Pas D'argent

Fundada em 2006, a companhia construiu uma pesquisa sólida e contínua em torno do corpo, do movimento e de uma linguagem autoral. Ao longo de quase duas décadas, recebeu importantes reconhecimentos, como indicação ao Prêmio Shell, o Prêmio Europeu Compasso di Argento e o Lukas Awards de melhor produção teatral latino-americana.



SERVIÇO

  • Espetáculo: TRAÇAS Gênero: Tragicômédia / Thriller de Humor Ácido

  • Local: Sesc Copacabana - Mezanino

  • Temporada: até 14/12/2025

  • Horários: 20:30

  • Ingressos: 30,00 (inteira) e 15,00 (meia)

  • Classificação Indicativa: 16 anos

  • Companhia: Troupp Pas D'argent

  • Idealização e Direção: Marcela Rodrigues

  • Dramaturgia: Daniella Rougemont

  • Elenco: Beatriz Freitas, Carolina Garcês, Isabela Catão, Jorge Florêncio, Natalíe Rodrigues, Perla Carvalho, Raffaele Casuccio e Tenca Silva.

  • Iluminação: Luiz Paulo Nenen

  • Figurino: Tiago Ribeiro

  • Trilha Sonora: Federico Puppi

  • Cenografia: Marcela Rodrigues

  • Direção de Produção: Natalíe Rodrigues, Beatriz Freitas e Jorge Florêncio

  • Produção: Florêncio’s Produções

  • Produção Executiva: Patrícia Oliveira

  • Cenotécnica: Utopia Produções Artísticas e Culturais

  • Arte Gráfica, fotos e vídeos: Guto César

  • Assessoria de Imprensa: Alessandra Costa

  • Apoio e Realização: Edital de Cultura Sesc RJ Pulsar e Troupp Pas D’argent


 
 
 

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