Brasil segue como país que mais mata pessoas LGBT+, aponta relatório do GGB
- Pimenta Rosa
- há 3 dias
- 3 min de leitura
Mesmo com redução de 11,7% em relação a 2024, violência letal mantém padrão estrutural, com uma morte registrada a cada 34 horas em 2025

O Brasil manteve, em 2025, a liderança mundial em mortes violentas de pessoas LGBT+. Levantamento divulgado pelo Grupo Gay da Bahia (GGB) contabilizou 257 mortes ao longo do ano, entre homicídios, latrocínios, suicídios e outras causas violentas. Embora o número represente uma redução de 11,7% em comparação com 2024, quando foram registrados 291 casos, o país segue apresentando índices alarmantes, com uma pessoa LGBT+ morta, em média, a cada 34 horas.
O relatório é produzido de forma independente há 45 anos, sem apoio financeiro governamental, é realizado pelos voluntários professores doutores Marcelo Oliveira e Luiz Mott, e se baseia em notícias veiculadas na imprensa, redes sociais, blogs e informações encaminhadas à organização. Segundo o GGB, os dados refletem apenas uma parcela da realidade, diante da ausência de estatísticas oficiais sistematizadas sobre crimes motivados por LGBTfobia no Brasil. A subnotificação, apontam os pesquisadores, permanece como um dos principais entraves para o enfrentamento da violência.
Do total de mortes registradas em 2025, a maioria corresponde a homicídios, seguidos por casos de suicídio e latrocínio. Homens gays continuam sendo o grupo mais vitimado, respondendo por mais de 60% dos registros. Mulheres trans e travestis aparecem em seguida e, embora representem uma parcela menor da população, seguem expostas a um risco desproporcionalmente maior de morte violenta, evidenciando o impacto da transfobia estrutural.
A análise etária mostra que grande parte das vítimas tinha entre 19 e 45 anos, faixa considerada de maior inserção social e econômica. O relatório também chama atenção para casos envolvendo adolescentes e jovens, que revelam situações de extrema vulnerabilidade, muitas vezes associadas à rejeição familiar, violência doméstica e ausência de redes de proteção. Na outra ponta, pessoas idosas LGBT+ também figuram entre as vítimas, demonstrando que a violência atravessa todas as fases da vida.
No recorte territorial, o Nordeste aparece novamente como a região com maior número de mortes, seguido pelo Sudeste. No entanto, quando os dados são analisados de forma proporcional à população, capitais do Norte e do Centro-Oeste despontam com taxas mais elevadas de letalidade. Para o GGB, esse cenário revela desigualdades regionais profundas e a necessidade de políticas públicas específicas, capazes de dialogar com realidades locais distintas.
Outro dado preocupante é o baixo índice de esclarecimento dos crimes. Mesmo com algum avanço em relação à média nacional, a maioria dos casos segue sem autoria conhecida, reforçando um padrão histórico de impunidade. Parte significativa das mortes ocorre em ambientes privados, como residências, o que indica a incidência de violência praticada por pessoas próximas, incluindo parceiros íntimos e familiares.
Para os pesquisadores responsáveis pelo estudo, a redução registrada em 2025 não pode ser interpretada como diminuição da LGBTfobia no país. O relatório aponta que oscilações anuais podem estar relacionadas a fatores como menor cobertura midiática, mudanças pontuais nas dinâmicas da violência ou variações estatísticas, sem que haja, de fato, uma transformação estrutural.
Ao longo de mais de seis décadas monitoradas pelo GGB, já foram contabilizadas mais de 8 mil mortes violentas de pessoas LGBT+ no Brasil. A série histórica revela uma curva ascendente, especialmente a partir dos anos 1990, desmontando a ideia de que avanços legais e maior visibilidade social tenham sido suficientes para garantir o direito à vida dessa população.
Diante do quadro, o GGB reforça a urgência de ações integradas do Estado, que incluam a padronização do registro de crimes motivados por ódio, o fortalecimento das políticas de prevenção, investimentos em saúde mental, educação e assistência social, além do combate à impunidade. “Enquanto uma única pessoa LGBT+ continuar sendo morta por preconceito, essa luta seguirá sendo necessária”, destaca a entidade.




Comentários